domingo, 27 de janeiro de 2013

FOTOGRAFIA

Um filme não revelado
Pode esconder no negativo
Quem sabe o teu melhor ângulo
Ou algo bem mais positivo
Tua feminina essência

Não posso compartilhar a sua imagem
Muito menos sonhar teus sonhos
Sinto a dor da agulha
Quando involuntariamente tatuo
Na minha memória a tua fotografia

Meus olhos se transformam em lentes
E no movimento dos cílios
Pisco milhares de vezes
Consigo fotografar-te linda
Porque é essa a imagem que guardo de ti...

IMAGEM

Simetria perfeita de mulher
Olhos que brilham apesar da luz
Nariz que alonga e se afina
No franzir da testa em rima
Boca tímida que de forma exuberante
Faz as bochechas tremer em covas
Queixo largo e arrendondado
Sobrancelhas finas de sutil contorno
Na orelha brinco de argola para destacar adorno
Para que dizer dos cabelos fios de ouro
Se o lindo rosto combina com todo o corpo
Para que falar de estética se tu és a própria rima e também a licença poética...

REVELANDO-ME

Cansei de criar personagens
Acho que conheço o meu potencial
Não ocupo espaço alheio
Luto com as armas que tenho
Sei o que quero nas minhas relações
Mas como amar e esquecer das ilusões?

Também sei dos meus defeitos
Nunca disse ser um cara perfeito
Quem poderá me fazer feliz?
Não faço distinção de donzela ou meretriz
Sendo uma mulher inteligente e perspicaz
Uma casual relação não me satisfaz

Preciso loucamente de um espelho
Somente interagindo é que descobrimos quem somos
Se tu te sentes atraída pelo homem confessa
Mas não te contente com a doce lábia do poeta
Confesso que as vezes sou anti-social
Mas um ser sociável o tempo não pode ser tão real
Galanteio de cafajeste se torna mais sedutor
Mas cortejo de um ser artista produz cenas Amor...

Quero ser apresentado aos teus amigos
Esconda-me somente dos inimigos
Estou assumindo não somente posição nova
Acho que enterrei o passo em profunda cova
Se o mundo abre porta para ti
Vá ao encontro da felicidade, mas despeça antes de partir..
.

NÃO-FALAR

Não falarei mais de hora derradeira
Poeta que se mistura com o sujeito humano
Este somente acaba por falar asneira
Quando tenta escrever poema rimado
Já sabe qual a interpretação de cor e salteado
Para que representar em versos a sua dor na contramão
Se o ser poeta vive o inverno em qualquer estação
Cansam-me os versos e rimas repetidas
Pois até no silêncio falo muita baboseira
Porém, o ser poeta tem uma vantagem
Vive muitas vidas sem trocar a roupagem
O pior é que morre mil vezes se necessário for
Tudo porque morre o sentimento alheio e nunca o seu amor...

VIVÊNCIAS

Apesar do vácuo; do interstício; do oco; e, do vazio...
Tenho saudades de tu que és o meu vício
O sentimento que me invade e arde a alma entristecida
Não consegue fazer do poeta um ser suicida

O Poeta não morreu, apenas partiu antes...
Vagou pelo lume de sentimentos e voltou junto com o louco amor
É verdade que ébrio não posso regressar ao início
E consertar os buracos de um longo precipício

Na contramão da nossa história vem outras vidas alheias
Se não podemos caminhar juntos pela estrada é melhor não ter esteiras
Mas se andarmos juntos em direção não é solução
Andar em pistas separadas se preciso for até recuperar a razão


Então, se nau não encontra navio sobra o mar de lágrimas
Amor não é sentimento simples e compacto produzido em fábricas
Se o distanciamento e o silêncio fizerem sentido
Tanto importa a saudade e o desejo de colo e um coração partido


Não quero o falso domínio da situação
Nem mesmo viver uma mentira por ilusão
Óbvio que o pátio vazio causa dor e frio
No silêncio gritado em que vivo falta fogo e pavio


Uma vez que a bomba relógio instalada no meu peito
Causa uma angústia ouvir somente o tique taque sem o bum...
Se tudo explodisse em desejo; abraço; carinho; e, beijo...
Até a cama seria dispensável para o ser que de amor flutua
Quando mesmo na loucura da ausência sente a presença tua...